sábado, setembro 15, 2007

Não vás contar que mudei a fechadura

( Letra e música de Sérgio Godinho, in “Coincidências” , 1983 )


Não vás contar que mudei a fechadura
Nem revelar que reclamei dos teus anéis
O amor dura, se durar, enquanto dura
E o vento voa à procura de papéis

O vento passa à procura dum engano
E quando encontra presa fácil na cidade
Bate à janela e redemoinha e causa dano
Naquilo que é suposto ser nossa vontade

Já de manhã vai parecer tudo tão diferente
Não é do vinho nem do sono ou do café
É só que um olho por olho, dente por dente
Nos deixa o rosto assemelhado ao que não é

E não vás contar-lhes desse abraço derradeiro
Nem que mudei a fechadura mal saíste
Quero o teu rosto devolvido por inteiro
O desse dia em que me vi no que tu viste

E não vás tomar à letra aquilo que te disse
Quando te disse que o amor é relativo
Se o relativo fosse coisa que se visse
Não era amor o por que morro e o por que vivo

3 comentários:

Pêndulo disse...

"O amor dura, se durar, enquanto dura
E o vento voa à procura de papéis

O vento passa à procura dum engano..."

é mesmo isto... e se calhar é por esta forma de escrever que eu admiro tanto o SG :-)))

e é guardar o que é bom de guardar... e deixar que o tempo leve as coisas menos boas... e eu que pensava que comigo nunca poderia acontecer voltar a "sorrir" e sonhar, hoje digo que o tempo é o nosso melhor amigo... o tempo e nós mesmos :-))))))

um beijo

Margarida disse...

Quase de certeza que este poema do Sérgio Godinho surge aqui como canção dos teus sentidos... por isso restrinjo-me a louvar este grande senhor que me "acompanha" desde os meus tempos de meninice!

E Ana, força aí e beijinhos

V disse...

Continuo a preferir a primeira parte das coisas do amor, "as certezas do meu mais brilhante amor" :) uma beijoca