domingo, julho 06, 2008

Cine Atlântico







Este foi o espaço onde Carlos do Carmo actuou no passado dia 12 de Junho em Luanda , situado na Vila Alice . Um cinema ao ar livre , aberto nas laterais e coberto apenas por cima , com uma pala revestida de paineis acústicos !
Uma obra de arquitectura colonial ( cujo nome do arquitecto não consegui ainda descobrir ) , dos finais dos anos 60 ( com uma traça muito idêntica à do Parque Eduardo VII e Palácio da Justiça ), com a qual fiquei maravilhada e que não temos idêntica em Portugal :( . É claro que pensar num espaço destes para o nosso País na época não fazia sentido , pois seria usado apenas nos meses de verão ( agora é que se têm feito para aí uns recintos com palas , mas já percebi que quem pensou nos mesmos , nunca pôs a vista no projecto do Cine Atlântico e também nunca se lembrou de consultar um engenheiro de som ).

O recinto não deve ter sido pensado para espectáculos ao vivo ( porque o foi para cinema ) , mas se o foi , foi pensado à dimensão dos eventos e equipamentos da época , como é natural. Assim , o palco existente não permite que ali se façam concertos com grande produção e mesmo para espectáculos menos complexos , é preciso adaptar. Mas foi mais que suficiente para uma noite muito especial entre angolanos e portugueses , promovida pelo GRANDE comunicador Carlos do Carmo.




Lateralmente ao palco existem ainda uns painéis ao alto que poderão ser de Almada Negreiros ou de um contemporâneo seu , mas mais uma vez não consegui obter informação sobre o autor dos mesmos.




O fim de dia neste lugar é especial , porque os raios de sol rasgam por uma das laterais , deixando todo o recinto ( plateia e palco ) com uns tons quentes , de África.

O Carlos com o Vicente , que estava responsável pela produção e pelos equipamentos ( Puro Mix ).

Os músicos : Fernando Araújo , Carlos Garcia e Paulo Parreira , no ensaio com Paulo Flores , que participou no espectáculo , interpretando " Mãe negra ".

A guitarra do Paulo Parreira.


O Cine Atlântico fez-me viajar no tempo , sendo que até hoje continua a ser uma obra muito à frente.


PS : Depois do ensaio , deixei nos camarins o pequeno catering que tinha providenciado e , no palco, as águas para os músicos e a toalha de rosto do Carlos , com o seu nome bordado. Tive o bom senso de não deixar no recinto , que tinha segurança , mais nada , nem mesmo o saco com discos que o Carlos tinha levado para vender e que era suposto já ficar ali. É que no regresso do hotel , já não havia whisky no camarim e tudo o que estava no palco desapareceu! Fiquei danada ! Haja paciência para lidar com estas situações a toda a hora e momento , tendo que as encarar com toda a naturalidade.