sábado, junho 16, 2007

Santo António não é só casamenteiro ...

Foi preciso viver quatro décadas para a minha mãe me dar a provar o PÃO de Santo António ( como é que pude viver tantos anos sem que algum dia ela me tivesse , ao menos falado , no dito pão ). Pior ainda . Eu , menina criada num colégio de freiras , nunca tinha de facto ouvido falar deste pão e muito menos provado.
Será quase uma vergonha dizer que sou lisboeta...

Veio , assim , embrulhadinho neste tosco , mas fantástico papel , um pãozinho em miniatura ( mesmo pequenino ) , comprado à porta da Igreja de Santo António , junto ao Largo da Sé , na manhã de 13 de Junho , pela minha rica mãe.
O pão era pão(zinho)(zinhinho) , como dizia o Mário em miúdo “nininho” . Adorei o embrulho e fiquei curiosa para saber o raio da história do PÃO de Santo António.



Parece que a origem da história é idêntica à de tantos outros milagres que se baseiam no dar de comer aos pobres , na multiplicação dos pães e por aí fora. Um gesto nobre e de solidariedade ( palavra com um significado que merece bem mais respeito do que aquele com que é usado nos dias de hoje ). O interessante nesta história é que a tradição deste pão se tenha mantido , pelas mãos das freiras da Imaculada Conceição e Santo António , que o confeccionam e vendem. Disse-me a minha mãe que nas igrejas existe até uma caixinha de esmolas para o “pão de Santo António “ e eu nunca vi tal coisa ! Com o dinheiro que é angariado com a venda destes pães e com as esmolas deixadas nas tais caixinhas , não só este grupo de “irmãs” mata a fome a muitas familias e sobretudo idosos , como as auxilia, fazendo visitas ao domicilio , ajudando-as nos seus afazeres domésticos e sobretudo na sua higiene pessoal.

“ Ganhar a vida para ter pão na mesa “ – de facto a palavra PÃO tem este significado básico de sobrevivência , de vida. E agora sempre que puder contribuir para o trabalho social desenvolvido por estas “irmãs” irei fazê-lo ( vou estar atenta às caixinhas ), pois a vida de muita gente ( e nem imaginamos quantas ) depende desta entrega , deste dom de dar, da fraternidade.

1 comentário:

Margarida disse...

Agora qté eu fiquei
com "vergonha"... alfacinha de gema e também nunca tinha ouvido falar do pão de St. António...
Fiquei com vontade de o provar...