quinta-feira, setembro 07, 2006

Para ti ...

Passámos vários anos ao lado um do outro sem nos conhecermos e sem sequer nos vermos ; nessa altura chegámos a trabalhar na mesma empresa e tínhamos tantos amigos comuns...
Mas foi só em meados de 1993 que fomos apresentados um ao outro , pelo Carlos. Passaste a fazer umas visitas esporádicas à nossa casa , junto à Feira da Ladra e fomos tornando-nos amigos. Seguiram-se aqueles almoços no indiano da Praça da Figueira , onde podíamos desabafar um com o outro dos males de amor e outros. Em Abril de 1994 , viajámos em trabalho até São Paulo ( Brasil ) e desde que acordávamos até que nos deitávamos , estávamos sempre juntos – confesso que na altura foi dificil não ficar contigo também noite fora, mas “noblesse oblige”. Pouco depois , convidaste-me para tua madrinha de casamento ( o que me deixou muito feliz e ao mesmo tempo com um enorme nó na garganta ) , mas entretanto a data da cerimónia já tinha passado e eu a julgar que tinhas arranjado outra madrinha ( afinal não te tinhas era casado e , sem saber bem porquê , suspirei de alivio ). Continuámos os nossos almoços até que , uma noite de Abril do ano seguinte ( já sem companheiros ) , à luz da lua cheia sobre o Monte da Lua e junto ao mar , ali mesmo no Cabo da Roca, não resistimos ao nosso primeiro abraço. Foi uma paixão louca , daquelas verdadeiramente arrebatadoras. E assim se foi passando o Verão e o Outono, apesar de teimares em continuar a ser o Sr. Ermita , o que me fez sofrer demais , tu sabes. Foi apenas no mês de Dezembro que pela primeira vez me disseste “amo-te” e para isso foi preciso estar desterrada lá para Castelo de Paiva com um braço partido. A partir daí vivemos um amor mais pleno , até que decidimos viver juntos. Já lá vão uns anos , não tão harmoniosos quanto desejei. O teu mundo tão teu e o meu mundo tão dos outros tem-nos distanciado. Vivemos agora momentos vazios , sem espaço para nós. Talvez tenha chegado a altura de seguirmos caminhos separados. Talvez seja isso que naturalmente terá de acontecer, para que possamos ser os dois mais felizes. Mas uma coisa é certa , dói-me só de pensar que já não estarás, aqui. Dói-me não conseguirmos dar um ao outro , aquilo que tanto precisamos e desejamos um do outro. Sei que serias feliz se eu dispusesse de todo o tempo do mundo só para ti. Sei que se fossemos só eu e tu , tudo seria tão diferente. Mas , eu não sou apenas eu e não consegues aceitar isso e tens-te fechado de novo sobre ti mesmo , frio que nem uma pedra. E eu , que não sei lidar com isso , tenho aqueles ataques irracionais de escorpião , que te magoam , mas que acabam por me magoar ainda mais. Talvez tenha chegado o momento ... e vai custar-me demais... mas hoje fazes anos e só te quero dizer , “amo-te” ( e espero que tudo o que vivemos juntos não se vá , como um simples virar de página ).

6 comentários:

free speaker disse...

A maior parte das vezes, só damos valor ao que temos quando o perdemos. Convém, caso isso aconteça, que tenhamos consciência de que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para evitar esse resultado.

janica disse...

opah :'(

Nekas disse...

Há alguém que eu conheço que diz o seguinte:

"Depois talvez construir
Ou navegar os dias
Pressentir
Percorrer os caminhos que houver"

E por aí em diante.
Um grande abraço.

Joana Oliveira disse...

Olá Ana, tudo bem? um beijinho mt grande e um abraço fechado ;)

Ju disse...

Luta!
Luta sempre!
Luta enquanto sentires que vale a pena...

Pêndulo disse...

Espero que esteja tudo bem... mas ainda assim, como diz o tema do meu nick "ele há coisas a acabar... mas há tantas a começar..."

um beijinho