quinta-feira, agosto 31, 2006

Monsanto , finalmente !

No sábado , porque havia de contrariar a preguiça , peguei no carro e lá me fiz à estrada com o Mário e a minha mãe.
Sem destino , acabámos em Monsanto. Afinal é a aldeia mais portuguesa de Portugal e há anos que queria visitá-la.
Se é ou não a aldeia mais portuguesa de Portugal , não sei. O que sei é que não é uma aldeia , mas uma vila e já desde 1510 quando o Rei D.Manuel I outorgou o Foral Novo. A sua história remonta a um passado bem mais longínquo que continua cravado naquele cabeço extraordinário sobre o qual a vila foi sendo construída , ao longo da encosta , em direcção à planície.
O cabeço de Monsanto é uma dádiva da natureza e avistá-lo lá de longe , de Proença-a-Velha , por exemplo , é algo de esplendoroso.
Caminhar desde o centro da vila até ao castelo é uma canseira , ainda para mais depois de almoço e com calor ( não tanto como é habitual nesta altura do ano ) , mas as pedras sobre as quais se edificaram as casas , as grutas que nelas se escondem e as esculturas naturais que estão ali desde sempre, merecem bem o sacrificio. Merecem um regresso com mais tempo , até porque toda aquela região do interior da Beira Baixa ( as Terra de Idanha ), guarda muitos tesouros que eu ainda tenho que descobrir.

Os adufes ( instrumento musical bastante dificil de tocar , sobretudo para quem é tão descoordenado quanto eu ) , as marafonas ( bonecas de trapos feitas sobre uma cruz e para as quais existe mais que uma história ) e o galo de prata ( exibido na Torre de Lucano , prémio “ a aldeia mais portuguesa de Portugal “ atribuído à vila , penso que anos 50 ) são elementos essenciais em qualquer loja de artesanato de Monsanto.

Mas “Mons Sanctus” vale pela dureza de cada pedra e pelo que toda a ambiência daquele lugar ( onde outrora viveram os primeiros primatas , os lusitanos , os romanos , os mouros ... ) , uma fortaleza natural , nos transmite, levando-nos a imaginar as batalhas que ali se travaram , mesmo após a conquista de Monsanto aos mouros por D.Afonso Henriques em 1165.
Hoje , a grande batalha que Monsanto e toda a região tem que vencer é a desertificação , o abandono. Para isso não será necessário destruir tudo de bom e bonito que tem , mas aproveitar as suas caracteristicas únicas , criando projectos que as valorizem ( ao contrário do que aconteceu com o Algarve , de onde fogem cada vez mais turistas “de qualidade” , pois muitas das suas vilas pescatórias tornaram-se autênticas cidades de betão , tão iguais às cidades que cresceram junto aos grandes centros e onde não há qualquer qualidade de vida ).






2 comentários:

joaosete disse...

olá Ana,

estive à pouco por essas terras de Idanha com os escuteiros. Perdi-me e perdia-me mais se houvesse tempo. Adorei todos pormenores da região, as gentes, a paisagem, à excepção do calor...era perfeito.

Quanto ao turismo de qualidade, penso que a câmara de idanha a nova está fazer uma grande aposta. têm cada vez mais percursos pedestres e locais para desportos de natureza. Melhor disto tudo é estar disponível na página da câmara, verdadeiro serviço público.

Quero lá voltar, é que o nosso pequeno Portugal tem cantinhos onde temos de nos demorar um pouco.

lena disse...

és linda, minha querida amiga!
e o mário está muito feliz, e a tua mami tá mais magrota...

muitos beijos, acabou a odisseia
ufa

saldo positivo
;)***